Tim Duncan nos fez lembrar o que é o talento puro, sem nada em torno dele

“The King”. “Splash Brothers”. “Magic”. “Air”. “Black Mamba”. “Dr. J”. “O Almirante”. Todo ícone do basquete que se preze tem um apelido. Faz parte da cultura do jogo, da atitude que ele carrega, da imagem que ele passa ao público e aos adversários. Alcunhas que denotem força, imposição ou qualidade técnica são as preferidas, por razões óbvias. Mas Tim Duncan, possivelmente o melhor ala-pivô da história, era conhecido como “The Fundamental”. Convenhamos, ser chamado de “fundamental” não parece a coisa mais amedrontadora ou espetacular do mundo. Mas não podia ser mais perfeito para o craque do San Antonio Spurs que anunciou o fim de sua carreira nesta segunda.

Duncan era talento, e tudo o que podemos ver dele é esse talento. Para o bem ou para o mal, sua imagem não é acrescida de nenhum fator de marketing ou acontecimento extraquadra. Ele não anima a torcida com gestos ou danças durante o jogo, não é protagonista de campanha publicitária, não é símbolo de comportamento errático na vida pessoal. O que Duncan faz é jogar basquete e cuidar de trabalhos sociais fora dela. Sempre da forma mais direta e simples possível, da forma mais… fundamental.

Isso certamente lhe custou alguns milhões em contratos publicitários ao longo da carreira, bem como contribuiu para que alguns demorassem a reconhecer completamente o valor do ala-pivô dos Spurs. Mas, após 19 temporadas fantásticas, é impossível não perceber o que Duncan construiu.

O virginense de Saint Croix ficou quieto e discreto, mas foi colecionando marcas. Ele é o jogador com mais duplos-duplos, segundo em jogos e vitórias em playoffs, terceiro em rebotes, quinto em tocos e sexto em pontos na história da liga. Conquistou cinco títulos – o segundo a vencer em três décadas diferentes – e 1.001 vitórias em temporada regular (o terceiro da história, mas com aproveitamento de 71,9%, superior à de Kareem Abdul-Jabbar e Robert Parish). Com ele em quadra, o San Antonio teve 60% de aproveitamento em todas as temporadas, a maior sequência na NBA.

Ninguém precisou dizer ao público que Duncan era um craque, ninguém criou uma campanha em torno de seu nome para isso. Ele fez isso em quadra, jogando. Só talento, um talento que fará uma falta enorme na NBA.