No confronto entre dois dos melhores técnicos da NFL, nada melhor do que lembrar de uma outra lenda, Bill Parcells. Mas porque Parcells? Como vocês podem acompanhar nas linhas abaixo, Parcells foi o principal mentor das carreiras de Coughlin e Belichick, antes dos dois tornarem-se treinadores principais na NFL.

Quem é melhor? Tire sua dúvida abaixo.

William Stephen Belichick
Futebol americano no sangue, mas gosto pelo Lacrosse
Nasceu em Nashville, Tennessee, no dia 16 de abril de 1952. Cresceu em Annapolis, Maryland, onde seu pai, Steve Belichick era assistente técnico de um time de futebol americano. Na Annapolis High School, praticou futebol americano e lacrosse, que era o seu esporte favorito. Belichick estudou na Universidade de Wesleyan, em Connecticut, onde jogou como center e tight end. Além disso, jogou squash e lacrosse, sendo o capitão da equipe em seu último ano na universidade.

Belichick é o camisa número 44. É o terceiro jogador da esquerda para direita da primeira fileira de baixo

Primeiro emprego: 25 dólares por semana
Depois de se graduar, em 1975, Belichick pegou um trabalho de US$ 25 dólares por semana como assistente do Baltimore Colts, que tinha Ted Marchibroda como técnico principal. A intenção era aprender, independentemente do dinheiro que ele iria ganhar para fazer o trabalho. Já em 1976, Belichick foi para o Detroit Lions como assistente dos especialistas. E o treinador começou a acumular funções. No ano seguinte já cuidava também dos wide receivers e dos tight ends. Mas em 1978 migrou para o Denver Broncos como assistente defensivo e dos especialistas. Sem dúvida um começo difícil para Belichick que pulou de franquia em franquia em busca de experiências e da firmação como técnico.

Em 1979, Belichick iniciou seu primeiro grande trabalho na NFL. Ficou 12 anos com os Giants, ao lado do técnico Ray Perkens, como assistente defensivo e treinador dos especialistas. Já em 80 treinou os linebackers e em 85 virou coordenador defensivo, sob o comando de Bill Parcells, que entrou no lugar de Perkins em 83. Ganhou dois Super Bowls pelos Giants nessas funções (1986 e 1990).

Primeira experiência
Em 1991 chegou nos Cleveland Browns como técnico principal da equipe. Mas não foi um bom começo, o time também não ajudava, é bem verdade. Ficou lá até 1995, chegou aos Playoffs apenas em um ano e foi demitido com um recorde de 36 vitórias e 44 derrotas.

Um passo atrás
Em 1996, Belichick retornou a equipe de Parcells, agora no New England Patriots, e voltou a ser coordenador assistente. O time venceu a AFC, mas perdeu o Super Bowl para o Green Bay Packers, de Brett Favre. No ano seguinte, Parcells foi contratado pelo New York Jets e levou muito dos seus assistentes, inclusive Belichick, que trabalhou como coordenador defensivo na franquia até 1999.

Treinador por um dia
Parcells deixou os Jets em 1999 e arranjou tudo para que Belichick o sucedesse no cargo de treinador principal. E assim foi, por apenas um dia. Belichick foi anunciado como comandante da franquia para a mídia, mas no dia posterior tirou um papel do bolso e disse aos jornalistas: “Estou deixando o cargo de treinador principal dos Jets”. Depois disso falou mais de meia hora para tentar explicar o papelão.

Pouco depois da sitaução bizarra, Belichick foi anunciado como treinador principal do New England Patriots. Por ainda estar em contrato com os Jets, o comissário geral da NFL na época, Paul Tagliabue, exigiu que os Patriots dessem a primeira escolha do Draft 2000 para o time de Nova Iorque.

Entrando para história

Primeiro título da história do New England Patriots foi trazido pela dupla Bill Belichick  e Tom Brady

Bill Belichick chegou a New England em 2000 para fazer uma das melhores, se não a melhor, década de um treinador na NFL. Mais uma vez não foi um bom começo para o treinador, terminando a primeira temporada com apenas cinco vitórias. Só que em 2001, Belichick fez a melhor escolha da sua vida. Colocou Tom Brady de titular, após uma lesão de Bledsoe. O resultado foi o título do Super Bowl 36, o primeiro na história da franquia de Boston.

De aí em diante o New England Patriots sempre chegou aos Playoffs e com time para ser campeão do Super Bowl. Foram nove títulos de divisão, cinco de conferência e três Super Bowls, perdendo apenas para o prórpio New York Giants em 2008, que já tinha Tom Coughlin e Eli Manning à frente da franquia.

Pisada na bola
No incidente conhecido como “Spygate”, no dia 9 de novembro de 2007, a NFL pegou os Patriots gravando os sinais de defesa dos treinadores do New York Jets, o que infringe as regras da liga. Quatro dias depois, Belichick foi punido em US$ 500 mil, maior punição já feita a um técnico em toda história da NFL. Os Patriots também foram punidos em US$ 250 mil. O comissário geral da liga, Roger Goodel, pensou em suspender o treinador por alguns jogos ou temporadas, mas preferiu punir o time que perdeu algumas escolhas do Draft.

“Eu sou o culpado e responsável por todas as ações relacionadas a gravação dos treinos e jogos da equipe. Peço desculpas a todos os envolvidos”, disse Belichick na época. Seis meses depois do caso, o jornal Boston Herald, fez uma reportagem mostrando que o treinador dos Patriots também tinha gravado treinos do St Louis Rams, antes do Super Bowl 36, vencido pela franquia da Nova Inglaterra.

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Thomas Richard Coughlin

Seu trabalho sempre está em dúvida nos Giants

Quase padre
Nasceu em Waterloo, Nova Iorque, no dia 31 de agosto de 1946. Durante o High School era um excelente estudante e no seu último ano no colégio passou em um concurso para tornar-se um padre católico na cidade. Não deu seguimento na carreira cristã e foi jogar futebol americano pela Universidade de Syracuse.

Experiência
O primeiro trabalho como treinador assistente foi na Boston College, onde não teve muito sucesso, antes de ir treinar os wide receivers do Philadelhpia Eagles na NFL. Passou também pelos recebedores do Green Bay Pakcers e do New York Giants, onde foi assistente de Bill Parcells, e ajudou o time a ser campeão do Super Bowl 25, em 1990. Na temporada seguinte, Coughlin voltou a Boston para realizar o seu primeiro trabalho como técnico principal em uma grande competição. Nos três anos a frente do time, o treinador montou um programa de futebol americano vencedor, que foi coroado em 1993 com a vitória em cima de Notre Dame, melhor time da NCAA, na época, por 41 a 39.

Bem-vindo à NFL
Tom Coughlin deixou Boston College para assumir o comando do Jacksonville Jaguars, por onde ficou oito temporadas. Levou o time para duas finais de conferência, 1996, quando perderam para o New England Patriots, e 1999, sendo derrotados pelo Tennessee Titans. Foi eleito o técnico do ano na NFL em 1996. Nos primeiros cinco anos como treinador dos Jaguars, Coughlin saiu vitorioso de campo em 49 oportunidades, o que é ótimo para uma franquia que estava dando seus primeiros passos na NFL. Mas os três anos seguintes não foram bons, o que resultou na demissão do treinador em 2002.

O New York Giants
Depois de ficar parado por uma ano, o New York Giants deu uma oportunidade a Coughlin, o contratando no dia 6 de janeiro de 2004.

Com um começo de temporada instável e com o quarterback Kurt Warner não jogando bem, Coughlin apostou no novato Eli Manning. Muito criticado pela escolha, a mídia e os torcedores dos Giants não se cansaram de reclamar do jovem que perdeu seis dos seus primeiros sete jogos como titular.

Só que Coughlin confiava no talento do menino, que dizia ser de família, afinal, seu irmão Peyton Manning era considerado o melhor quarterback da época na NFL. Eli continuava instável, mas o treinador continuou bancando o jogador como titular e a recompensa veio em 2008, quando se tornaram juntos campeão do Super Bowl 42.

Giants desbanca o favoritíssimo Patriots

Sou bom ou ruim?
Mas a vida de Coughlin nunca foi fácil no comando dos Giants. Em nenhum momento o treinador obteve 100% da confiança dos torcedores e nem mesmo dos próprios jogadores. Frases como a do tight end, Jeremey Shockey “nós tomamos um baile no campo e um baile fora dele”(em referência a Coughlin), não foram raras durante todos esses anos com a franquia de Nova Iorque. Fato é que quando vence, Coughlin está entre os grandes técnicos da NFL para a tão crítica imprensa nova-iorquina, mas quando perde…… Haja questionamentos.