Giants ou Patriots? Para quem você vai torcer no domingo?

Por André Pase

Semanas atrás, o New York Times publicou uma matéria dizendo que os torcedores do New England Patriots são arrogantes. Discordo da afirmação, talvez resultado de uma cidade muito vencedora (sobretudo na NBA) e com uma torcida que é apaixonada por esporte. Já NY precisa torcer para times que levam o nome da cidade, mas que estão em Nova Jersey…

Diferente do fatídico Super Bowl de 2008, os Pats não são favoritos. Para a grande maioria, o time de Nova Jersey (e vou chamar assim, é preciso valorizar a geografia) tem todas as condições de ganhar – números, estatísticas do Eli Manning – e os Pats chegaram até aqui aos trancos e barrancos, sobretudo com um erro do chute do Billy Cundiff, praticamente a versão Charlie Brown do pênalti que o Baggio errou em 1994 na final da Copa. Opa, nós não ganhamos o caneco assim? Está aí um bom motivo pra simpatizar com New England.

LEIA TAMBÉM:
– Veja a cobertura completa do ExtraTime para o Super Bowl

Além disso, o time veio comendo pelas beiradas na temporada regular. Quando todo mundo criticava a postura, colocava em dúvida se Tom Brady ainda tinha café no bule, a equipe ofensiva consagrou nomes como Gronkowski e aos poucos levou a divisão. As críticas, e quando bem feitas são necessárias, acabaram por deixar a equipe mais consciente dos problemas, chamando jogadores e auxiliares sem pensar. Moral da história, o time fez a reta final em casa e pegando o apoio da torcida.

Se a defesa foi o ponto fraco na temporada regular, virou o jogo nas últimas rodadas. Não apenas fechou espaços para o Denver Broncos, deixando Tim Tebow perdido, mas também aplicou o básico do esporte ao segurar o máximo possível o ataque dos Broncos. Ok, houve espaço para Joe Flacco armar as jogadas, mas também é preciso relevar a sua qualidade. Provavelmente Vince Wilfork e companhia captaram bem a lição para o próximo domingo.

A grande pergunta depois do jogo contra o Ravens foi “o que Bill Belichick disse para a defesa?”. Provavelmente ele – e o time de auxiliares – estudou os erros, os adversários (e o football tem isso mais do que o soccer) e soube focar o time. Nada fora do comum para um técnico que conhece muito bem o time, os jogadores que tem e conta com um quarterback que deixou o seu nome na história entre as duplas mais vencedoras de head coach + quarterback.

E o camisa 12 terá um domingo especial. Quem já não imaginou poder reescrever a história, acertar aquele pênalti errado ou chute torto que faltou para levar um título? O fantasma do Super Bowl 2008 ainda assusta Tom Brady, reza a lenda que ele não consegue nem ver o VT do jogo, e a chance de 2012 é única. A história não vai ser reescrita, o time invicto não vai ganhar, o Boston Globe não terá um caderno pronto com a manchete 19-0, mas ele poderá não só mostrar porque é uma lenda em campo bem como olhar para todos que jogaram pedras nesses anos e dizer “ganhei, beleza?”. E se ainda existe alguma dúvida sobre a sua postura, basta recordar o que foi dito no pódio depois de receber o troféu da AFC: “Não joguei muito bem, mas nossa defesa nos salvou hoje. Tentrarei jogar melhor daqui umas semanas”. É o tipo de postura de um atleta que sabe a chance que tem pela frente, compreende bem o jogo e está focado, muito focado para o domingo.

As críticas têm o seu fundamento, o passe para Gronkowski que rendeu um turnover para o Ravens poderia ser deixado para uma outra descida, mas o quarterback precisa arriscar também. Meu único receio é o quanto isso ainda está na sua cabeça e pode evitar um TD decisivo no domingo. No último jogo, não apenas abusou de BenJarvus Green-Ellis, mas sacou um coelho da cartola ao marcar um TD pulando sobre os outros jogadores. Quando a jogada não valeu TD, foi lá e repetiu a mágica. Não basta ser bom nos números, precisa mostrar algo diferente.

Além disso, é muito bacana acompanhar um time que cresce nos playoffs. Por conta do Brasileirão de pontos corridos, fomos esterilizados e esquecemos o quanto é legal não apenas ter finais, mas como um time pode ganhar força e mostrar superação na hora decisiva. E um time campeão não é aquele que é bom sempre, mas precisa ter uma boa dose de sorte e superar os limites que surgem ao longo do caminho. Isso não ocorreu em 2008 e é a marca dessa temporada, sobretudo em um time que aprendeu algumas lições do passado. É o fator emoção do esporte.

Também é preciso torcer para o Pats como agradecimento pelo fim da Tebowmania. Tim Tebow é um bom jogador, mobilizou muita gente nessa temporada, mas o time não apenas deixou o jovem torto, mas também mostrou que é preciso sustentar o auê. Tem futuro, mas é preciso por os pés no chão. E se você ainda não estiver convencido, pense nesta imagem.

Que vença o melhor e o Super Bowl todo seja bacana.. Jogo, comerciais, show do intervalo da Madonna e comemoração dos Pats.

André Pase é jornalista e professor da PUC-RS em Porto Alegre. Durante esta temporada da NFL, esteve em Boston para fazer seu pós-doutorado no Massachusetts Institute of Technology (MIT). No Twitter: @andrepase


  • Lucas Braga

    Ótima análise!
    Sempre torci pelos times de Boston. No ano passado consegui ir a Boston e fiquei impressionado como a cidade respira os esportes americanos.
    Observei na rua centenas de pessoas vestindo os produtos oficiais dos times e o orgulho que eles têm do Celtics, Red Sox, Patriots e Bruins.
    Domingo é o dia do Tom Brady provar que ele é um dos melhores jogadores da história desse esporte!
    Go Go Pats!

  • Lucas

    porra de torcer pra NE, sai fora, fruto do spygate