Doze temporadas. Cinco franquias diferentes defendidas. Sete participações em playoffs – só uma em finais. E um título de NBA. São esses os números atualizados de Leandrinho Barbosa, do Golden State Warriors, o único ala-armador brasileiro da melhor liga de basquete.

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Ele é só o segundo brasileiro a ganhar este título e o primeiro que já teve passagem, também, pelo NBB. Tiago Splitter, pioneiro, o fez na temporada passada ao lado de Tim Duncan, Tony Parker e Manu Ginobili, em uma situação bem diferente. Enquanto Splitter era praticamente titular no garrafão, ao lado de Duncan, Leandrinho tinha menos espaço: competia tempo de quadra, diretamente, com os Splash Brothers. Esse empecilho, no entanto, não amenizou sua participação no título.

Pelo contrário. Junto com Shaun Livingston, Leandrinho dava tranquilidade a Stephen Curry e Klay Thompson para sentar por alguns minutinhos no banco e descansar. Tranquilidade que LeBron James, por exemplo, não teve: não havia um reserva sequer atuando no mesmo nível do brasileiro em Cleveland para dar uma folga ao seu craque.

Sim, tenho ciência de que Thompson não apresentou o seu melhor nos playoffs ou nas Finais, especialmente. Mas isso só engrandece a participação de Leandrinho no título. Afinal, ele deu minutos de descanso a Curry, cuja responsabilidade aumentou graças à apatia de Thompson. A média do brasileiro, de 4,6 pontos, pode parecer baixa, mas representa muito em relação aos pouco mais de 10 minutos por jogo em que ficou em quadra.

E se Andre Iguodala, que também veio do banco, foi importante para a conquista de Golden State a ponto de ser o destaque das partidas que representaram a virada do time na série, Leandrinho também foi esse cara. A importância do brasileiro, no entanto, não foi  a mudança tática que ele deu ao time: foram os momentos em que atuou.

Quase sempre quando os Warriors estavam no sufoco e Curry precisa desanuviar a falta de inspiração, ele acrescentava jogadas de explosão e infiltrações, no ataque, e boa postura na defesa (exceto na fatídica vez em que pagou algumas flexões durante um arremesso do JR Smith):

Leandrinho tava tão bem no jogo de domingo que tava até dando tempo de fazer umas flexões no meio do jogo. #mito

Posted by Homens Brancos não Sabem Blogar on Tuesday, June 16, 2015

“De qualquer maneira, se algum atleta contrariar todas as estatísticas e, com muita luta, se assemelhar ao pivô do San Antonio Spurs e for campeão da NBA, no dia seguinte voltará à realidade nacional de que, infelizmente, um jogador sozinho não mudará a realidade do basquete no Brasil. Nem mesmo ao conquistar um título da magnitude deste”.

Fiz esse comentário, ao final da temporada passada, aqui. E, para infelicidade de quem é apaixonado por esse esporte, as coisas continuam as mesmas. Leandrinho e Splitter, sozinhos, não serão a mudança que o esporte precisa. Resta saber se poderão, de alguma maneira, ser o gatilho para uma discussão muito mais profunda e complicada: como melhorar, de verdade, a realidade da modalidade aqui no Brasil.


  • Péricles

    Não sou o maior entendedor de basquete do mundo, mas eu gostaria de ver mais armadores brasileiros na NBA, e por causa disso fiquei feliz pelo título do Leandrinho. Não sei como está a situação do Raulzinho com relação ao Utah Jazz, mas espero que ele tenha chances e as aproveite.

  • ni_forlan

    Leandrinho foi muito bem nesses playoffs/finals. Na série contra os Rockets quando acionado Leandrinho marcou James Harden melhor que o Thompson que se encheu de faltas ao tentar parar o barba, nas finais foi fundamental no decisivo game 5, sendo o maior pontuador do banco vindo com 13 pts em 4-5 arremessos tentados em 17 minutos de ação.