Royals conquistam World Series mostrando como sufocar o adversário no beisebol

Beisebol não tem marcação, não tem um time impedindo fisicamente o outro de agir. Cada equipe tem sua vez de arremessar/defender e de rebater/atacar, com jogadores dentro de espaços definidos para agir. Mas é possível sufocar o adversário também no beisebol, e o Kansas City Royals conquistou a World Series por saber como usar isso.

O time comandado por Ned Yost joga com intensidade. Não é a melhor rotação da MLB, também não tem os rebatedores de mais potência da liga. Mas usa suas armas para fazer o adversário sempre se sentir acuado, contra as cordas, mesmo quando tem vantagem no marcador. Afinal, os Royals controlam mentalmente o duelo e deixam margem mínima de erro para o oponente.

O primeiro motivo disso é o ataque. Não é um alinhamento que aparece em todos os momentos, mas surge sempre em avalanche. Os rebatedores não sofrem strikeouts. Eles colocam a bola em jogo e são rápidos, expondo a defesa adversária a suas próprias fragilidades. Além disso, uma rebatida parece sempre dar início a uma série delas, como flechadas que vão ferindo e enfraquecendo o arremessador adversário até ele cair.

Como um predador, o Kansas City parece escolher a hora certa para esse ataque. Sempre na segunda metade do jogo, quando o adversário está mais cansado e vulnerável, e quando há menos chance de um contra-golpe. Não à toa, o tine anotou 51 corridas a partir da sétima entrada nos playoffs de 2015, de muito longe um recorde na história da MLB (a marca anterior era do Anaheim Angels de 2002, com 36).

Para dar suporte a isso, o bullpen é quase impenetrável. Toronto Blue Jays e New York Mets entraram em campo na final da Liga Americana e na World Series sabendo que precisavam resolver o jogo até a sexta entrada. Se não tivessem uma vantagem folgada, teriam problemas. Não apenas porque o ataque dos Royals resolve aparecer, mas porque Wade Davis e Kelvin Herrera praticamente não dão chances aos rebatedores adversários.

O New York Mets não soube lidar com essa intensidade. Tiveram vantagem no marcador em todas as cinco partidas da World Series, mas cederam no momento de pressão em quatro delas. A limitação da defesa se fez sentir, bem como a vulnerabilidade do bullpen. O Kansas City cercava e dava o bote, sem dar margem para qualquer saída.

No jogo 5, o definitivo, Matt Harvey quase anulou os Royals. O abridor dos Mets foi gigantesco por oito entradas e manteve seu time com vantagem de 2 a 0. Ele pediu para ficar a nona entrada, cedeu um walk e uma rebatida dupla, o que deu a brecha necessária para o Kansas City empatar em cima de Jeurys Familia (que se tornou o primeiro fechador da história a entregar três jogos na mesma World Series) e, na 12ª entrada, vir como uma bola de neve com cinco corridas e um 7 a 2 virtualmente impossível de virar.

Esse sistema de jogo mostrado pela equipe de Ned Yost difícil de montar, pois depende de um trabalho coletivo grande. Mas, quando isso se materializa, é bom de ver. Mesmo para quem não é um feliz torcedor dos Royals.


  • Paulo Roberto Ramos de Andrade

    E como foi o Paulo Orlando ? Não acompanhei nenhum jogo da World Series (muito tarde…)

    • http://www.trivela.com Ubiratan Leal

      Ele entrou durante quase todos os jogos. Teve mais participação defensiva do que ofensiva, mas conseguiu uma rebatida, uma corrida impulsionada e uma corrida completada.

  • Nelson Sakae

    O ExtraTime fez uma ótima cobertura da toda a temporada da MLB.

  • rflkmts

    Bira o Royals desse ano conseguiria ganhar do Giants do ano passado?

  • Vitor Vieira

    Mesmo com imenso atraso, não poderia deixar de comentar o excelente post, Ubiratan. Ótimo resumo do que foi o jogo dos Royals nesta temporada…