A briga do Washington Redskins para manter seu nome começa a ganhar capítulos de comédia pastelão. Nesta semana, o clube entrou na Justiça pelo direito de registrar comercialmente a marca “Redskins” (“pele-vermelha”), um termo que causa polêmica pela conotação racista que tem para os indígenas americanos.

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Primeiro, um pouco de contexto. O poder público não pode forçar a franquia a mudar de nome, por mais que seja essa a vontade. Por isso, o que o governo federal fez foi vetar o registro da marca “redskins”. A atitude tira o valor comercial do nome, o que seria um incentivo para o Washington adotar um outro mascote (leia mais sobre isso aqui).

Para rebater esse argumento, os Redskins adotaram o argumento mais estúpido possível. O clube lista uma série de empresas que puderam registrar nomes com conotação racista, sexista ou que tenha um nível grande de agressividade com algum grupo social. Casos da cerveja “Dumb Blonde” (“Loira Idiota”), do café “Big Titty Blend Coffee” (“Café Grandes Seios”), das grifes de roupas “Take Yo Panties Off” (“Tirando Suas Calcinhas”) e “Dengerous Negro” (“Negro Perigoso”), da confeitaria “Baked by a Negro” (“Feito por um Negro”), das bandas “Reformed Whores” (“Prostitutas Reformadas”) e “Nappy Roots” (algo como “Raízes Pixaim”, com uso proposital do “pixaim” para retratar o tom do termo), do tempero “Gringo Style Salsa” (“Salsa Estilo Gringo”) e de uma série de sites pornôs com referências a prostitutas, milfs e adolescentes no nome.

A linha de raciocínio do departamento jurídico dos Redskins é fácil de entender. E tem algum sentido. Afinal, o simples fato de ter um nome agressivo a algumas pessoas não impediu que outras empresas registrassem suas marcas. Mas qualquer aprofundamento no pensamento já mostra alguns problemas básicos, que deveriam derrubar essa ideia ainda na reunião de diretores do Washington:

1) O clube citou várias companhias, sem se atentar ao fato de que algumas delas usam os termos agressivos como forma de protesto contra discriminação, caso das bandas Reformed Whores (formada por mulheres) e Nappy Roots (formada por negros), ou mesmo para chamar a atenção a alguma causa, como o Big Titty Blend Coffee, que adotou esse nome porque destina US$ 1 de cada venda para a pesquisa ao combate do câncer de mama;

2) O processo dos Redskins coloca o clube no mesmo patamar de várias empresas pequenas, como se uma grande corporação, de repercussão nacional, não tivesse uma responsabilidade maior com certas questões;

3) E, o principal: ao colocar o nome “Redskins” ao lado de um monte de nomes claramente agressivos, a diretoria simplesmente admite que “redskins” é um nome racista. Durante toda a polêmica sobre o nome, a franquia argumentava que se tratava de uma homenagem e que muitos indígenas não se incomodavam com esse nome. Pode até ser, é uma linha de argumentação. Mas, ao usar um monte de empresas com nomes preconceituosos como modo de dizer que eles têm o direito a adorarem o “redskins”, a direção reconhece que o apelido da equipe também é preconceituoso. Como se dissessem: “tudo bem, temos um nome racista. Mas um monte de gente tem e vocês deixam”.

A questão, nesse caso, não é se os Redskins têm ou não o direito de usar seu nome. É simplesmente a estupidez dos dirigentes para defenderem sua causa.