Toronto Blue Jays e Texas Rangers faziam o jogo mais acirrado dos playoffs 2015 da MLB. A partida seguia em 4 a 4 em entradas extras e ninguém queria ceder nada. Os texanos sabiam que uma vitória praticamente definiam a classificação após a vitória no jogo 1 da série, também em Toronto, enquanto os canadenses precisavam se recuperar para recuperar o moral. Até que, na 14ª entrada, ocorreu um lance decisivo.

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Chris Giménez conseguiu uma rebatida simples para o campo externo. Rougned Odor, que estava na primeira base, correu para a segunda e ensaiou partir para a terceira. Voltou rapidamente e levou a tentativa de queimada de Troy Tulowitzki. O juiz não marcou a eliminação, a entrada continuou e os Rangers anotaram as duas corridas que deram a vitória por 6 a 4. Mas… Odor estava realmente salvo?

Os Blue Jays pediram a revisão da jogada pelo replay. A maior parte dos ângulos deixam muita dúvida sobre a posição do pé de Odor, mas uma imagem (destacada na foto no alto dessa página e aos 3:50 no vídeo abaixo) deixa claro que o jogador dos Rangers perdeu contato com a base por alguns décimos. Evidências suficientes para os árbitros reverterem a marcação e encerrarem o turno ofensivo dos texanos. Mas isso não ocorreu, e a polêmica se instalou.

Tecnicamente, parece claro que Odor foi tocado pela luva de Tulowitzki em um momento em que não estava na base. Pela interpretação literal da regra, eliminação incontestável. No entanto, esse tipo de jogada já está motivando alguns debates sobre como deve ser encarada.

Até a implantação do replay, corredores tinham o benefício da dúvida quando algum defensor tentava queimá-los no momento em que tocava a base. Pequenas perdas de contato com a base, como a de Odor (ele toca a base, mas acaba se descolando por alguns centímetros), eram imperceptíveis e, portanto, perdoados. Isso fazia parte do jogo.

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Desde que jogadas de eliminação em base se tornaram revisáveis por replay, as câmeras lentas passaram a encontrar várias eliminações de corredores que chegaram na base, mas se desprenderam dela pelo embalo. Defensores identificaram essa possibilidade, e passaram a insistir ao encostar a luva no corpo do adversários, às vezes (não é o caso desse lance de Blue Jays x Rangers) quase o empurrando para tirar proveito de qualquer perda de contato com a base.

Isso mudou as características desse tipo de jogada, motivando alguns analistas a pedirem uma certa flexibilidade na interpretação das regras nesse lance. Pode parecer estranho ou defender o descumprimento da lei, mas essa mesma “margem de erro” é adotada em favor dos defensores nas queimadas duplas. Para diminuir o risco de impacto com o corredor, o shortstop ou segunda base não precisa tocar a base antes de lançar a bolinha para a primeira. Basta chegar perto para a arbitragem aceitar a eliminação.

O que os árbitros de Blue Jays x Ranges fizeram foi adotar essa postura mais flexível. É certo por um lado, e errado por outro. Durante as férias, a liga precisará debater melhor que critério usar para essas jogadas. Enquanto isso, o torcedor do Toronto vai reclamar. Mas os canadenses também podem pensar em como seus arremessadores cederam duas corridas com apenas uma eliminação na mão e em como o melhor ataque da MLB ficou nove entradas sem anotar uma corridinha sequer.