
Brees e Ray Lewis durante o Pro Bowl, em fevereiro desse ano
Depois de muita especulação e de declarações suspeitas do comissário Roger Goodell no começo do ano, não eram poucos os que apostavam na extinção do Pro Bowl. Sob um turbilhão de críticas por causa do baixo apelo técnico da partida, a NFL bateu o pé e confirmou, no fim do mês passado, a edição de 2013. O jogo das estrelas acontecerá mais uma vez em Honolulu, no Havaí, uma semana antes do Super Bowl. Mas seria mesmo insistindo no formato a melhor forma de salvar essa tradição?
Criado em 1980, o jogo das estrelas do futebol americano não passa de uma festividade. Serve para enaltecer as grandes estrelas da temporada, em um confronto entre os melhores da AFC contra a NFC. Os atletas selecionados carregam em seus currículos a nomeação para o Pro Bowl com orgulho, mas a vontade normalmente não é tão grande dentro de campo. A liga oferece 50 mil dólares para cada membro do time ganhador, e a metade disso para os derrotados, além de um final de semana estendido no Havaí.
Historicamente, o Pro Bowl ocorria uma semana depois do Super Bowl, e com alguma sorte, contava com a participação dos atletas que disputaram a decisão. Mesmo nomeados, eles tinham o direito de se recusar a entrar em campo. Em 2010, a NFL mudou a data do jogo para uma semana antes da grande final, o que impossibilita de vez a presença de boa parte dos melhores da temporada, já que estão focados na briga pelo troféu Vince Lombardi.
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No entanto, em 2010, a liga fez outra aposta. Além da mudança da data, realizou o jogo das estrelas no SunLife Stadium, em Miami, local que receberia o Super Bowl sete dias depois. Nesse ano, como parte da cobertura jornalística da final entre Colts e Saints, tive a oportunidade de acompanhar também o Pro Bowl. E apesar da NFL parecer ter abandonado a ideia, acredito que essa seria a salvação para a tradição.
A expectativa era baixa, afinal o Pro Bowl visto pela televisão não é um grande espetáculo. Regras do jogo são modificadas para proteger os jogadores e evitar lesões desnecessárias, e os tackles não são realizados com aquela intensidade de uma partida normal. Mas o evento foi um sucesso. Casa cheia, e quase todos os 70 e poucos mil ingressos vendidos. O jogo foi surpreendentemente divertido, com diversas big plays, e trouxe os fãs para perto das estrelas, já que muitos dos presentes não teriam a oportunidade de acompanhar in loco o Super Bowl, que aconteceria exatamente uma semana depois.
Em Miami, o Pro Bowl serviu como um kickoff para a semana da grande final, e certamente ajudou a movimentar a economia, pois colocou a cidade sob os holofotes da mídia vários dias antes do que o normal. E assim deveria ser em New Orleans em 2013, Nova York em 2014 e Arizona em 2015. A NFL não teria dificuldades para esgotar os assentos para essas partidas, já que os preços são bem mais acessíveis. E para o torcedor americano, é muito mais fácil e barato se deslocar dentro do continente do que bancar passagens para as paradisíacas ilhas havaianas.
A liga parece estar satisfeita com o Pro Bowl. Apesar de não valer nada (diferente da MLB, por exemplo), ainda foi o jogo das estrelas com maior audiência no país em 2011 – cerca de 13,4 milhões de telespectadores. Tudo bem, pouco mais de 10% dos números do Super Bowl, mais ainda um público expressivo. Então por que não levar esse evento para mais perto dos fãs? Por algum motivo não revelado, parece que estamos mais perto de ver o fim do Pro Bowl do que ter rotatividade na sede do evento.
Talvez por pressão da associação de jogadores, já que não foram poucos os atletas que torceram o nariz quando tiveram que trocar Honolulu por Miami em 2010, e sem muito pudor lançavam mão de afirmações desse teor em entrevistas durante os preparativos para o jogo. Afinal eles já estão de férias, e querem mais é curtir o passeio. Não seria a hora da NFL transformar essa diversão em compromisso de trabalho e instituir mais valor ao Pro Bowl? Algo nos moldes da Major League Basebal, e oferecer algum tipo de vantagem competitiva no próximo ano para a conferência campeã.
Por enquanto, continuamos com o jogo marcado para o dia 27 de janeiro de 2013, nos mesmos moldes. Algo bom, já que quanto mais NFL, melhor. Mas, por outro lado, ainda sem uma luz no fim do túnel. Fim que pode estar próximo para essa tradição de 33 anos.




