Israel bate Brasil em jogo que a polícia americana observou com muita atenção

Imagine um torneio de qualquer modalidade do planeta em que dois dos quatro participantes são Israel e Paquistão. Se você não está preocupado desde já com a segurança deste evento eu posso garantir a você que é só porque não está aqui em Nova York. Você pode até não estar, mas a polícia está. A primeira coisa que se repara ao entrar no estádio MCU Park é o desproporcional contingente da unidade anti-terrorismo.

No jogo desta sexta, o estádio tem um pouco mais de gente do que no de quinta. Nova York é a segunda cidade com mais judeus no mundo (perde apenas de Tel-Aviv), e o Brooklyn concentra boa parte dessa população. No estádio há grupos escolares, todos devidamente trajando seus quipás. Os jogadores de Israel, quase a totalidade deles nascidos nos EUA, vestem-no para a execução do hino nacional, mas tiram logo em seguida.

É fútil discutir se é justo que um time de judeus nascidos nos Estados Unidos representa de fato Israel. A lei israelense, garante a todos a cidadania nacional, e todos fizeram essa opção. O Brasil tem cubanos e americanos em seu elenco.

Uma comparação esportiva entre os elencos mostra a força de Israel: a quase totalidade dos jogadores passou pela MLB ou ainda está em algum time das ligas menores. A principal diferença para o elenco brasileiro é que esses jogadores estão em sua maior parte no AAA, o último nível antes dos profissionais.

Israel joga em casa não só porque a torcida é majoritariente sua. O técnico do time é o mesmo dos Cyclones, donos do estádio. Dois de seus jogadores, Ike Davis e Josh Satin, jogaram pelos Mets, de cuja organização os Cyclones faz parte. Davis, inclusive, jogou pelos Cyclones – e chegou a ser considerado brevemente como boa promessa para o futuro.

Corey Baker, arremessador que abre o jogo para Israel, é do Double-A do St. Louis Cardinals. O Brasil, porém, não se intimida: um walk para o segundo rebatedor e uma rebatida para o terceiro são o suficiente para, desde o começo, colocar um rebatedor em posição de anotar corrida. A corrida não sai, porém. A seleção brasileira abre com Bo Takahashi, do Single-A dos Arizona Diamondbacks. Ele elimina rapidamente os três rebatedores de Israel para ir para a segunda entrada.

O jogo é basicamente equilibrado até o fim. Na quarta entrada, Israel tem homens nos dois cantos sem nenhum eliminado, e acaba fazendo 1 a 0. Na arquibancada as crianças prestam atenção em qualquer coisa que não seja o jogo. Na sexta, é a vez de o Brasil ter situação semelhante, com um eliminado e homens nos cantos, mas a equipe não aproveita a oportunidade. É a senha para a garotada ir embora.

Israel segura o 1 a 0 até o final, e agora folga até domingo. O Brasil joga neste sábado por nova oportunidade contra Israel. É melhor que os outros dois times, Grã-Bretanha e Paquistão, e deve passar. Pelo jogo de hoje, mesmo que os israelenses tenham um dia de descanso, o Brasil pode muito bem ganhar. Quem sabe esse monte de americano de Israel não resolve passar o sábado na balada?