Crosby ser o melhor jogador das finais só mostra quão forte eram os Penguins

Os torcedores e jornalistas que cobrem a NHL parecem em uma eterna busca por um novo Dom Sebastião. O hóquei no gelo teve Wayne Gretzky, que chegou como um furacão marcando gols, conquistando títulos, fazendo as pessoas em Los Angeles lembrarem que os Kings existiam e mudando a história do esporte. Desde o início do declínio do Great One, virou moda buscar o Next One. Eric Lindros foi o primeiro caso. Connor McDavid o último. Entre eles, está Sidney Crosby, fenômeno que elevou o nível do Pittsburgh Penguins e ganha terreno na disputa para ficar entre os maiores de todos os tempos.

O talento de Crosby é tão grande que, nos últimos anos, não foram raras as vezes em que ele e os Penguins foram tratados como uma coisa só. Os duelos com o Washington Capitals, outra franquia que cresceu muito nos últimos dez anos, era mais tratado como Crosby x Alexander Ovechkin do que Pens x Caps (o mesmo acontecia quando Canadá e Rússia se enfrentavam nos Jogos Olímpicos, diga-se). Pois o Pittsburgh conquistou mais um título neste domingo, com o craque do time levando o troféu de melhor jogador dos playoffs. Mas, nesse caso, isso só serve para reforçar a ideia de como o resto do time foi importante.

O camisa 87 é o melhor jogador dos Penguins e foi o líder da equipe nas finais contra o San Jose Sharks. Deu quatro assistências, duas delas no jogo 6, a vitória por 3 a 1 que fechou a temporada. No entanto, o Pittsburgh precisou muito do resto do elenco para levantar a Copa Stanley e o fato de Crosby não ter feito gol algum apesar das boas atuações só evidencia isso.

Phil Kessel foi o grande nome da linha HBK, também formada por Carl Hagelin e Nick Bonino, que deu vida ao ataque dos Penguins nos playoffs. Ele fez um gol, deu três assistências nas finais e, contando todas as fases do mata-mata, fez dez gols e deu 12 assistências. Crosby, no mesmo período, teve 6 e 12. Por isso, muitos analistas acham que o ala direita merecia o título de melhor jogador dos playoffs.

Isso não significa que Crosby não mereça, ainda que defender Kessel seja perfeitamente viável e até tenha surgido uma teoria que torcedores do Toronto Maple Leafs votaram no Next One para evitar a vitória do seu ex-jogador que não saiu bem da maior cidade do Canadá. Mas mostra que, mesmo jogando bem, Crosby não decidiu sozinho. Porque o hóquei no gelo é dinâmico e coletivo, com linhas que se alternam no rinque, e achar que um jogador vale pelo seu time só faz sentido para equipes muito ruins, não para uma campeã.