Eddie Gamboa faz lançamento para a primeira base em jogo de pré-temporada dos Orioles (AP Photo/Carlos Osorio)

Eddie Gamboa faz lançamento para a primeira base em jogo de pré-temporada dos Orioles (AP Photo/Carlos Osorio)

Foram seis temporadas nas ligas menores até que o arremessador Eddie Gamboa recebesse sua primeira chance no Baltimore Orioles. Aos 29 anos, idade incomum para um estreante, ele foi incluído no elenco de 40 jogadores do time em dezembro. Foi retirado algumas semanas depois, mas veio o convite de participar de sua primeira pré-temporada.

Por trás da demora há um motivo técnico. Gamboa, draftado pelos Orioles em 2008 da Universidade da Califórnia, é mais um a se reinventar após aderir à knuckleball. É um arremesso extremamente difícil de dominar, mas que pode colocar no mapa um jogador de talento mediano que precisava de uma arma para se destacar dos demais. Como Gamboa, que jamais havia passado do nível Double-A.

“Foi uma decisão difícil, mas a melhor que já tomei na carreira”, ele disse, em Sarasota, na Flórida, onde fica o centro de treinamento da equipe. “Ainda estou aprendendo, alternado com meus outros lançamentos. Eu me reinventei ano passado, mas continuo me reinventando a cada dia aqui”, ele completa.

A vida do jogador destro mudou quando Phil Niekro, lenda na história dos Orioles, visitou um treinamento das ligas menores.  Gamboa impressionou ao lançar uma knuckleball, e começou a sua transição. Niekro foi um dos maiores knuckleballers da história da MLB, conquistando 318 vitórias e um lugar no Hall da Fama. Em 2014, ele se juntou ao Baltimore exclusivamente para ajudar o novo pupilo.

Em um ano experimental em 2013, Gamboa usou knuckleballs em cerca de 50% dos arremessos nas ligas menores e teve ERA de 3.64. Ele reconhece que ainda tem um longo caminho pela frente, mas vê a temporada com otimismo. “Estou preparado para lançar na MLB”, avalia. “É sempre bom tentar melhorar, mas as ferramentas que tenho comigo no momento acho que são suficientes para chegar a um nível maior”.

A idade do californiano é não convencional para iniciar uma carreira de grande liga, mas pode não ser um problema. Ao contrário de outros arremessadores, os knuckleballers geralmente têm seus melhores anos após os 30. O maior exemplo atual é RA Dickey, que também aderiu à knuckleball para reerguer sua carreira e ganhou o prêmio Cy Young de 2012, aos 37 anos.

Não à toa, o veterano do Toronto Blue Jays é um modelo para Gamboa. “Ele passou pela mesma coisa que eu, e qualquer hora que dê pra assistir ele lançar, pode contra comigo”, conta Gamboa. “Quero até entender a vida dele, o que ele teve de passar, algo que eu pudesse relacionar a minha”. Sobre o selo de “o novo RA Dickey”, que começou a aparecer em publicações como o USA Today, ele é bastante cauteloso. “Quem sabe um dia”, diz.

Eddie Gamboa jogou seu primeiro jogo de MLB durante o spring training, contra o Tampa Bay Rays. Ele lançou na sexta entrada, não cedendo nenhuma corrida, e tendo um strikeout com uma knuckleball a 95 km/h. Ele permanece invicto em suas aparições na Grapefuit League até agora, permitindo apenas uma rebatida, com seis strikeouts e um walk em cinco aparições (quatro entradas e dois terços).

Apesar da relutância inicial na conversão, Gamboa já se sente confortável, e não vê problemas no excesso de perguntas sobre o assunto. Ele já se sente , inclusive, parte da comunidade dos knuckleballers. “Isso é algo novo pra mim, mas eu já era curioso com isso desde que assisti Tom Cadiotti lançar pelos Dodgers [entre 1992 e 97]”, afirma. “Só comecei nisso pela minha curiosidade, e hoje estou com essa oportunidade. As pessoas são curiosas sobre isso, e eu adoro falar a respeito”, completa.

A temporada de Gamboa ainda é incerta, mas o mais provável é que passe o ano no nível de Triple-A nas ligas menores, com boas chances de ser chamado a fazer sua estreia na MLB a qualquer momento. Mas o arremessador já considera ótima a experiência do spring training e o convívio com os experientes.

“Eles dizem ‘mantenha a boca fechada e os ouvidos abertos, observe e aprenda com o que os outros caras estão fazendo’,” conta Gamboa, sobre os conselhos que recebeu. “Procuro mais feedback deles o quanto possível,” completa.