Com a estreia do filme “O Homem que Mudou o Jogo” (Moneyball em inglês), a equipe do Oakland Athletics virou momentaneamente o centro das atenções no mundo do cinema. A produção dirigida por Bennett Miller (mesmo diretor de “Capote”) aborda a estratégia de contratações que os A’s passaram a adotar no começo dos anos 2000, baseada em estatísticas individuais dos jogadores pretendidos. O personagem principal, Billy Beane, diretor do clube, é interpretado por Brad Pitt. Conheça a história do Oakland Athletics.

Connie Mack, dono do Philadelphia Athletics por 50 anos

A fundação na Filadélfia e as duas dinastias

O Oakland Athletics não nasceu na Califórnia. Na realidade, a equipe foi fundada como Philadelphia Athletics em 1901 em Filadélfia, na Pensilvânia, entrando para a recém formada American Baseball League. Durante os 54 anos de estadia na cidade, 50 dos quais sob o comando de Connie Mack, técnico e dono, os Athletics criaram duas dinastias: a primeira no início dos anos 10 e a segunda no final da década de 20.

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A primeira dinastia tem início em 1909, quando Mack forma um grupo de jogadores que viria a receber o apelido de “$100.000 infield”. Considerado um dos melhores infields na história da MLB, a formação contava com o primeira base Stuffy McInnis, o segunda base Eddie Collins, o terceira base Frank Baker e o shortstop Jack Berry. O quarteto liderou a equipe nos títulos da World Series em 1910, 1911 e 1913 – foram 299 vitórias e 155 derrotas durante as três temporadas. No ano seguinte ao tricampeonato, Oakland foi para a série final, mas foi derrotado pelo Boston Braves por 4 a 0. Dois membros do “$100.000 infield” acabaram nomeados para o Hall da Fama (Collins e Baker).

Depois de 15 anos longe dos playoffs, os Athletics voltaram a figurar entre os melhores em grande estilo. Entre 1929 e 1931, a equipe foi para a World Series, vencendo nas duas primeiras ocasiões e perdendo o que seria o seu 6° título para o St. Louis Cardinals por 4 a 3 – naquele ano, os A’s venceram 107 jogos, recorde na história da franquia. Um dos grandes destaques da segunda dinastia foi Jimmie Foxx, garoto de 17 anos contratado por Mack em 1925. Colocado para jogar de primeira base, o menino chegou a ser apelidado de “Babe Ruth destro”. Ironicamente, ele foi o segundo jogador da MLB a passar da marca dos 500 home runs depois do próprio Babe Ruth, sendo escolhido para o Hall da Fama em 1951.

Acaba a dinastia de Connie Mack

Connie Mack ficou 50 temporadas à frente do Philadelphia Athletics. A partir de 1950, assumiram os filhos Roy e Earle, e Connie Mack Jr., do segundo casamento. No primeiro ano sem o fundador, a franquia teve um retrospecto negativo de 102 derrotas e apenas 52 vitórias, amargando recordes negativos pelas três temporadas seguintes até 1954 (103 derrotas), último ano da equipe em Filadélfia.

Com problemas de público, dívidas e queda de popularidade para o rival local Philadelphia Phillies, Earle e Roy decidiram vender o clube criado por seu pai. Em outubro de 1954, foi aprovada a venda dos Athletics para um empresário de Chicago chamado Arnold Johnson.

A curta temporada em Missouri

A primeira medida de Arnold Johnson foi tirar o time de Filadélfia, levando-o para Kansas City. Embora a equipe tenha conseguido excelentes médias de público, chegando a mais de 1,3 milhão de torcedores em 1955, a estadia no Missouri não foi das mais produtivas para os Athletics. Em 13 temporadas, o clube não foi aos playoffs em nenhuma e sequer conseguiu um retrospecto positivo – o mais perto que chegou foi em 1958, com 73 vitórias e 81 derrotas.

Ligado aos donos do New York Yankees, Johnson marcou seus seis anos como dono dos Athletics ao promover uma série de negociações que favoreciam mais o time da Big Apple do que sua própria equipe. Em 1960, Johnson voltava de um treino do time, quando sofreu uma hemorragia cerebral e morreu, aos 53 anos. O clube não ficou muito tempo sem chefe. No mesmo ano, Charlie Finley, que havia tentado comprar o clube em 1954, concluiu seu objetivo.

Com Finley, nasce o verde e dourado da Califórnia

Assim que chegou aos Athletics, Finley promoveu mudanças imediatas. Investiu o próprio dinheiro para reformar o estádio, passou a usar as letras “KC” no boné do time e “Kansas City” no uniforme de jogo, reforçando sua vontade de permanecer na cidade. No entanto, dois anos depois, Finley fracassou ao tentar relocar a franquia para Fort Worth, em Dallas – a permissão foi negada. Antes de acertar a saída da equipe para a cidade de Oakland, em 1968, o empresário cogitou Milwaukee, Nova Orleans, San Diego, Seattle e Atlanta.

O começo na “Bay Area”, nome dado à região de San Francisco e Oakland, foi promissor. Logo em sua primeira temporada na costa oeste, os Athletics terminaram com mais vitórias do que derrotas pela primeira vez desde 1952. Ainda em 1968, a equipe estreou no Coliseum Stadium e viu o arremessador Jim “Catfish” Hunter fazer um jogo perfeito contra o Minnesota Twins.

Comandado por Catfish, Reggie Jackson e Rollie Fingers, Oakland dominou o começo dos anos 70 com a terceira dinastia da equipe. Em 1971, foram 101 vitórias na temporada regular, mas o sonho do título parou no Baltimore Orioles. Nas três temporadas seguintes, os A’s foram à World Series e não decepcionaram o torcedor, conquistando mais três anéis de campeão. Em 1975, a derrota por 3 a 0 para o Red Sox na final da liga americana acabou com a possibilidade de uma 4ª aparição consecutiva na série final. Foi nesta época que Finley introduziu os uniformes verde e dourado, e que os Athletics passaram a ser chamados de “A’s”.

Depois de cinco aparições nos playoffs e três títulos na primeira metade da década de 70, a segunda metade acabou marcada pela queda de público, principalmente em 1979 (quando apenas 653 torcedores foram ao estádio em uma das ocasiões) e pela possibilidade do time ser relocado para Denver. Finley pensou em vender o time, o que gerou protestos da cidade – os Raiders também se encontravam em um processo de relocação.

Anos 80: Sai Finley e o terremoto de Loma Prieta

Apesar da crise que os A’s viveram no final dos anos 70, a equipe se reencontrou no começo dos anos 80. Com Billy Martin como novo técnico, Oakland chegou aos playoffs de 1981 com bons jogadores, como Rickey Henderson, Mike Norris, Tony Armas e Dwayne Murphy. Na final da Liga Americana, derrota para os Yankees por 3 a 0. No mesmo ano, Finley deixou de ser o dono da franquia, vendendo-a para Walter Haas Jr., então presidente da marca Levi’s.

O 9° e último título de World Series dos Athletics entrou para a história, mas não por fatores esportivos. No dia 17 de outubro de 1989, um terremoto de 6,9 graus na escala Richter atingiu San Francisco cerca de trinta minutos antes do Jogo 3 contra os rivais locais, os Giants. Mais de 60 pessoas morreram e a série final teve de ser interrompida no meio pela primeira vez na história. Dez dias depois do tremor, Oakland venceu as duas partidas seguintes e fechou a World Series em 4 a 0. A franquia também disputou a World Series em 1988 e em 1990, perdendo para Los Angeles Dodgers e Cincinnati Reds, respectivamente.

Billy Beane fica nos A's até 2019, afirma dono da franquia

O começo da era “Moneyball” no século 21

Com um grupo de investidores como dono do clube desde 1996 (Haas Jr. morreu em 1995), os A’s foram para a pós-temporada de 2000 a 2003, perdendo em todas as ocasiões na rodada de divisão, embora contasse com um bom time. destaque para o chamado “Big Three”, trio de arremessadores formados por Tim Hudson, Mark Mulder e Barry Zito, além outros bons atletas Jason Giambi, Miguel Tejada e Eric Chavez.

Em 2002, os Athletics chocaram o mundo do beisebol ao vencer 103 jogos com um elenco orçado em US$ 41 milhões, enquanto os Yankees, que também conquistaram 103 vitórias, gastaram três vezes mais com seus jogadores. Diretor dos A’s desde 1998, Billy Beane trouxe para o esporte uma estratégia de contratações baseada em estatísticas que até então não eram avaliadas de perto pelos olheiros. A equipe conseguiu 20 vitórias consecutivas, recorde na Liga Americana da MLB.

Três anos depois do efeito “Moneyball”, a franquia foi vendida para Lewis Wolff, atual dono. A última aparição dos Athletics nos playoffs em 2006, quando foram eliminados pelo Detroit Tigers na decisão da Liga Americana. Na World Series daquela temporada, os Tigers perderam para o St. Louis Cardinals, cujo técnico era Tony La Russa, demitido dos A’s em 1996. Desde então, Oakland não vai para a pós-temporada.

Estádio tem capacidade para 35 mil em jogos dos Athletics

ESTÁDIO

Inaugurado em 1966, a capacidade do O.com Coliseum Stadium para os jogos dos A’s é de 35 mil torcedores. Esse número varia de acordo com quem joga. Isso acontece porque parte do campo de beisebol que não é utilizado em uma partida da NFL, por exemplo, é ocupada por novas arquibancadas – o estádio também é casa dos Raiders. Apesar da reforma em 1995, os Athletics planejam construir a sua própria arena na cidade de San Jose, ao sul de Oakland. O maior entrave para o novo estádio, cujo projeto é chamado de Cisco Field, é o San Francisco Giants, rival e dono do terreno onde a construção está prevista para acontecer.

Outros estádios: Columbia Park (1901-1908) e Shibe Park / Connie Mack Stadium (1909-1954), na Filadélfia, e Municipal Stadium (1955-1967), na cidade de Kansas.

Reggie Jackson em ação durante partida do Oakland A's

MAIOR ÍDOLO

Reggie Jackson, rightfielder (1968-1976, 1987)
Apelidado de “Sr. Outubro” por causa de suas atuações decisivas no mês dos playoffs, Jackson conquistou cinco vezes a World Series, três com os Athletics (1972, 1973 e 1974) e outras duas com o New York Yankees (1977 e 1978). Teve sua camisa, a de número 9, aposentada pelo clube em 2004, 11 anos depois de ser escolhido para o Hall da Fama. Durante as 21 temporadas na MLB, atuou em 2.820 jogos, com 9.864 idas ao bastão, 2.584 rebatidas e 563 home runs. O jogador também foi o grande responsável pela criação do “Mustache Day” (dia do bigode) nos A’s. Em 1972, Jackson surgiu com um bigode na pré-temporada. O dono da franquia Charlie Finley não gostou e após a recusa do camisa 9 para raspar seu novo acessório, passou a incentivar os outros jogadores do time a imitar Jackson – uma tentativa de psicologia reversa. A ideia de Finley não deu certo.

Outros ídolos: Rollie Fingers (1968-1976), Jim “Catfish” Hunter (1965-1974), Dennis Eckersley (1988-1992) e Rickey Henderson (1979-1984, 1989-1995, 1998) e Jason Giambi (1995-2001).

Philadelphia Athletics em 1910: detalhe para o 'A' na camisa

NOME

O nome “Athletics” vem de  “Athletic Club”, que nos meados do Século 19 (quando a equipe foi fundada em caráter amado), era uma espécie de clube onde os homens costumavam se reunir. As primeiras fotos do Philadelphia Athletics mostram os jogadores com o famoso “A” em destaque nas camisas, marca que dura até os dias de hoje. Embora a equipe tenha se relocado para Kansas City e depois para Oakland, o “Athletics” sobreviveu. Curiosidade: as atuais cores dos A’s, verde e dourado, foram introduzidas pelo novo dono Charles Finley – as cores originais são azul, vermelho e branco.

Apelido de "elefante" foi incorporado e virou mascote do clube

TORCIDA

De 2001 para 2011, a franquia sofreu uma queda de público impressionante. Neste intervalo de dez anos, a média no O.com Coliseum Stadium foi de mais de 2,1 milhões de torcedores por temporada para 1,4 milhão no último ano. Por esta razão, muitos criticam a torcida dos A’s por não frequentar o estádio. Curiosidade: em 1901, o diretor geral do então New York Giants, John McGraw, chamou os Athletics de “elefante branco” para desmerecer a equipe. O apelido, usado de forma pejorativa pelo dirigente, acabou incorporado e virou o mascote da franquia.

Candlestick Park minutos após o terremoto de 17/10/89

RIVAIS

Pela proximidade geográfica, o grande rival dos Athletics é a equipe da cidade vizinha de San Francisco, os Giants. As partidas entre os dois times é chamada de Bay Bridge Series, referência à Bay Bridge, ponte que separa os municípios de Oakland e San Francisco. Em 1989, Giants e Athletics decidiram a World Series, série final vencida por Oakland, mas que acabou marcada pelo terremoto de Loma Prieta (nome de uma montanha na Califórnia). O tremor de 6,9 graus na escala Richter, aconteceu cerca de trinta minutos antes do Jogo 3, matando 63 pessoas no total. As finais foram retomadas dez dias depois.

Outros rivais: Texas Rangers, Los Angeles Angels of Anaheim e Seattle Mariners (rivais de divisão), e o Philadelphia Phillies, na época que os A’s eram de Filadélfia.


  • fernando p frassetto

    Ubiratan, Bem legal seu posto, a história do baseball deve ser sempre lembrada. Apenas uma correção: os Athletics perderam a WS de 1914 para o Boston Braves, atual Atlanta, e não Red Sox.

    • http://www.extratime.com.br Ubiratan Leal

      Fernando, não fui eu o autor do texto. É do Brunno Kono.

      • fernando p frassetto

        É verdade, só agora percebi!