MATHEUS DIAS | Sem beleza, com eficiência

25/jan/2012 | Matheus Dias

Depois de quatro anos, New England Patriots e New York Giants se encaram novamente na disputa máxima do esporte americano, em uma reedição do Super Bowl XLII, de 2008, uma das mais emocionantes finais da década passada. Partida que ficou marcada não apenas pela improvável e já emblemática recepção com a ajuda do capacete do tight end David Tyree em um momento-chave; ou somente pela agressividade da linha defensiva comandada por Michael Strahan, Osi Umenyiora e Justin Tuck, que desnorteou Tom Brady com tanta pressão. É uma final também lembrada por ser uma das maiores zebras do futebol americano profissional.

O New England Patriots já media os dedos para vestir seu quarto anel de campeão e consolidar de vez sua dinastia. Afinal, o time de Boston chegava ao grande jogo com 18 vitórias e pronto para se tornar o primeiro time da história a ser campeão invicto da NFL com temporada de 19 jogos (afinal, o time que está invicto certamente terá folga na primeira etapa dos playoffs, certo?). Bastava apenas superar um último obstáculo, o New York Giants, azarão que entrou nos playoffs pela porta dos fundos com o wildcard. De um lado, Tom Brady: herói de todos os títulos já conquistados por seu time, futuro Hall of Famer e exemplo do pocket-passer ideal. De outro, Eli Manning: na época conhecido só como o irmão mais novo de Peyton, que para piorar havia sido MVP do Super Bowl do ano anterior. E foi essa disparidade injusta na comparação entre QBs que parece ter servido de combustível para Eli na decisão da temporada 2007/2008.

Muitos personagens daquele duelo estarão no campo do Lucas Oil Stadium, em Indianápolis, na 46.ª edição do Super Bowl. E apesar de ser um rematch com gosto de vingança para os Patriots, a situação dos times é bastante diferente. A começar pelo New England, que desta vez chega com três derrotas na bagagem, mas sem a pressão do favoritismo absoluto. Afinal, o time caiu em casa diante dos Giants na última vez em que se encontraram, na semana 9 da temporada atual.

O New York parte para Indiana com a confiança de quem ganhou sua divisão e desbancou o atual campeão Green Bay Packers, além de ter mostrado nas últimas semanas que tem um time mais coeso, balanceado e capaz de escapar de apertos quando o tempo no relógio está curto. Trocando em miúdos, diferente de quatro anos atrás, temos uma decisão mais equilibrada.

Ninguém em sã consciência arrisca prever uma lavada por parte do Pats desta vez. Nem as bolsas de apostas de Las Vegas, que em 2008 colocavam o favoritismo dos Patriots em 11 para 1, e agora ainda dão a vantagem para o time de Brady, mas com sensatos 3,5 para 1. Afinal, até a cidade dos jogos de azar percebe que o time comandado por Bill Belichick contou com a sorte na final de conferência, e apenas por erros do adversário conseguiu vencer no tempo regulamentar.

São várias as diferenças nesta reedição da final, mas quatro anos não é tempo suficiente para mudar completamente a filosofia tática de um time da NFL. Portanto, os caminhos de ambos para a vitória são muito parecidos, e certamente o rolo de filme daquela final será destrinchado mais uma vez pelos técnicos.

Do lado do NYG, é preciso muita pressão por parte do front-4. É o único jeito de parar Tom Brady, fazendo-o se movimentar no pocket, diminuindo seu tempo de leitura da secundária e, mais importante, colocando-o no chão. A força da linha defensiva é a principal arma, que precisa funcionar bem para não ser preciso tirar homens da cobertura para causar pressão. No ataque, Eli Manning precisa estar afiado no passe, já que os Patriots provaram contra o Ravens que são capazes de anular o jogo corrido com eficiência.

Já o NE deve se aproveitar de sua fama para ganhar jardas por terra. Foi assim contra Baltimore, que optou por defender as bolas em profundidade e abriu espaço para BenJarvus Green-Ellis conquistar, em média, 4,5 jardas por corrida. Sem dúvida alguma, Brady e Belichick apostam todas as fichas em seus tight ends Aaron Hernandez e Rob Gronkowski, principais responsáveis pela campanha deste ano. Gronkowski saiu lesionado no último domingo, foi visto com a perna imobilizada após a partida, mas os médicos da equipe garantem que ele entra em campo. Na defesa, os Patriots precisam anular mais uma vez o jogo corrido do adversário para então se precaver contra o braço de Manning.

Ou seja, nenhuma novidade. Principalmente para quem acompanhou o primeiro embate decisivo entre essas equipes. No fim das contas, o avanço de New England Patriots e New York Giants pareceu apropriado. Dois times que nem sempre jogaram bonito em 2011, mas venceram quando importante. Garantia de mais um Super Bowl com imensas chances de ser decidido nos minutos finais, como nas edições mais recentes.

Ao leitor
Como esta é a primeira de, assim esperamos, muitas edições da coluna, gostaria de usar um momento para me apresentar. Jornalista e fotógrafo, estarei neste espaço todas as quartas-feiras para tentar fazer caber em palavras ao menos um pouco de minha imensurável paixão pela NFL. Como correspondente internacional tive a honra e o prazer de cobrir os últimos três Super Bowls (XLIII, XLIV e XLV) e o Pro Bowl de 2010 como enviado especial do jornal paranaense Gazeta do Povo. Inclusive, nos próximos dias embarco rumo a Indianápolis para repetir a dose dessa parceria. E o estimado amigo leitor do Extra Time terá acesso na próxima edição da coluna a material exclusivo sobre a preparação e os bastidores do maior evento esportivo de um dia do planeta.

9 Comments For This Post

  1. Daycon Says:

    Muito bom Matheus, boa sorte no trabalho novo!!

  2. Rogério Levy Says:

    Parabens.. pela materia, muito boa
    mesmo!!

  3. Douglas Says:

    Caraca….se o Gronkowski realmente jogar, acredito no NE, caso contrário, fico receoso.

    Boa viagem ;)

  4. Alexandre Says:

    Ótima matéria!

  5. AGoku Says:

    Boa matéria, mas um erro no segundo parágrafo: O Miami Dolphins foi campeão invicto em 72. O Patriots seria o primeiro time a fazer isso numa temporada com 16 jogos (antes eram 14)

  6. Maria Teresa Says:

    Parabéns pela matéria e pela coluna.

  7. Lucas Says:

    AGoku, ele escreveu "pronto para se tornar o primeiro time da história a ser campeão invicto da NFL com temporada de 19 jogos"

  8. extratime Says:

    Tem razão. Já foi corrigido.

  9. daniela Says:

    Que legal, Matheus! Já sabia da sua paixão pelo futebol americano, mas não sabia da sua veia jornalística. Parabéns e boa sorte! Guga

Leave a Reply

Enquete

Quem será o campeão da NBA?

| Resultados
Loading ... Loading ...