GUSTAVO HOFMAN | Chamem os Ghostbusters

01/mar/2012 | Gustavo Hofman

Brasil

Varejão e Nenê disputam lance com Dan Clark durante partida

O Brasil precisa melhorar. Isso é algo indiscutível, principalmente pela capacidade que essa equipe tem. No entanto, é inegável também afirmar que a sorte está ao lado da seleção masculina de basquete nos Jogos Olímpicos de Londres. Afinal, nos últimos anos, as derrotas foram sempre acompanhadas de discursos de azar. Agora, ao menos, isso não será mais desculpa.

Nas vitórias sobre Austrália (75×71) e Grã-Bretanha (67×62) o Brasil enfrentou adversários inferiores tecnicamente, mas que tiveram a oportunidade de vencer a partida. Sentiram a falta de jogadores mais decisivos e que pudessem lhes conduzir para os triunfos. E por mais anti-científico que isso possa ser, a seleção brasileira vinha sofrendo demais em jogos assim, quando não jogava bem contra times mais fracos e acabava derrotada.

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Sendo mais específico agora, na estreia contra os australianos os brasileiros ficaram nervosos no início da partida. Natural para uma geração tão pressionada e que colocou o país novamente na competição após 16 anos e já com pressão para medalha. Teve um aproveitamento fraco no field goal (28/68, 41,2%) e péssimo nos chutes de três (2/15, 13,3%). Perdeu nos dois quesitos para o adversário, sempre uma pedra no sapato brasileiro, assim como nos rebotes (38×41) e assistências (13×14). Venceu nos lances livres: 17/21, 81% contra 11/14, 78,6%. Não à toa, na base, os técnicos não se cansam de ensinar que lance livre ganha jogo.

Já na partida contra os britânicos o primeiro quarto foi algo tenebroso. Tranquilamente uma das piores atuações dos últimos 20 anos da seleção brasileira. Mas… Do outro lado estava o catadão de ingleses e escoceses formado para a Olimpíada. No final das contas, o Brasil venceu apenas nas assistências nos quesitos citados mais acima, mas contou com atuações destacadas de Tiago Splitter, Marcelinho Huertas e Marquinhos. Além de uma partida pouco inspirada de Luol Deng.

O que mais preocupou, no entanto, nessas duas partidas foram a defesa pouco agressiva e o ataque muito desequilibrado. Dois fantasmas que aterrorizaram o basquete brasileiro nas duas últimas décadas e pareciam controlado sob o comando de Rubén Magnano. Chamem os Ghostbusters!

A defesa pouco marcou pressão ou criou situações eficientes de transição. O ataque voltou a se precipitar com jogadas pouco trabalhadas e arremessos desesperados de três pontos. No duelo contra a Grã-Bretanha, irritou demais a falta de inteligência dos jogadores brasileiros na variação (ou falta dela) de jogadas. Insistiam nos chutes de fora do garrafão, sendo que a bola não caía. Nesses casos, qualquer time de base sabe que é preciso, então, mudar seu estilo ofensivo, passar a trabalhar mais a bola dentro da área pintada – por mais que, ainda falando dessa partida específica, só Splitter tenha conseguido uma atuação ofensiva muito boa, já que Nenê e Varejão precisam aparecer com mais eficiência e presença no ataque.

Faço parte do grupo de otimistas em relação à participação da seleção masculina de basquete em Londres. Ressaltei diversas vezes que a modalidade é uma das mais equilibradas do mundo, com Estados Unidos e Espanha á frente, seguidos por um grupo de seis seleções praticamente do mesmo nível. Isso significa que, na minha análise, um bronze ou um oitavo lugar no caso brasileiro não seria surpresa. Ou melhor, a medalha seria a surpresa negativa e o oitavo a surpresa negativa.

Para ficar com o lado positivo da história, o Brasil precisará melhorar muito. Se jogar assim contra a Rússia, na quinta-feira, assegurará no máximo o terceiro lugar e, confirmando o favoritismo contra a China no sábado, terá pela frente a França nas quartas de final – também se tudo correr como previsto no outro grupo. Se melhorar a defesa, controlar melhor suas jogadas de ataque e bater os russos, fará o clássico com a Argentinas nas quartas.

Portanto, é bom melhorar agora o basquete e encarar os hermanos na próxima fase. É uma seleção bem mais conhecida dos brasileiros, um rival tradicional e sem surpresas. Ainda dá para buscar a medalha, mas o mais importante é jogar o melhor basquete possível. Isso não vem acontecendo com o Brasil, e tenho certeza que Magnano sabe disso e cobrará seus atletas nos próximos compromissos.

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