Esfriou no Brooklyn, e os brasileiros que só estavam usando bermuda precisaram abrir a mala de novo para o jogo deste sábado no MCU Park. Brasil e Grã-Bretanha ganharam do Paquistão e perderam de Israel. O jogo deste sábado foi a repescagem para decidir quem enfrentará Israel neste domingo pela classificação para o World Baseball Classic. E pequenos detalhes, muitos ligados à dificuldade de controlar as próprias emoções, fizeram que os brasileiros caíssem em um emocionante 4 a 3 decidido no último lance da última entrada.

O Brasil mandou ao montinho aquele que é em tese seu melhor arremessador: André Rienzo, com duas temporadas de experiência na Major League Baseball,  começou o jogo contra Blake Taylor, que faz parte da organização do New York Mets.

Taylor começou mal o jogo, mas só foi ceder corridas na terceira entrada. Com dois eliminados, tanto Gabriel Maciel quanto Irait Chirino conseguiram rebatidas. Uma rebatida simples de Leonardo Reginatto rendeu duas corridas e a abertura do placar para o Brasil.

O time porém não aproveitou o bom momento psicológico: depois de permitir ao primeiro rebatedor inglês a chegada em base, Rienzo teve um balk marcado contra si. O lance mudou a partida: o arremessador brasileiro não concordou com a marcação, e além de ter irritado o juiz com seus protestos ficou claramente irritado. Na mesma entrada acabou atingindo dois arremessadores com a bola, Quando parecia que o estrago seria pequeno e que o Brasil cederia apenas uma corrida, Leonardo Reginatto largou uma bola fácil na segunda base, o que acabou permitindo mais duas corridas britânicas.

Embora não tenha cedido mais nenhuma corrida depois disso, Rienzo não se conformou até a hora de deixar a partida. Ao final da sexta entrada, comemorou enfaticamente a terceira eliminação olhando para o juiz. “Sempre que jogo pelo Brasil, dou 110% do que posso fazer. Meus ânimos se afetam um pouquinho, mas eu não me abalei emocionalmente. Infelizmente aconteceu o que aconteceu e vieram os pontos, mas eu não me abalei”, disse após a partida.

O nervosismo de Rienzo pareceu contaminar o time. Na quinta entrada o Brasil teve dois homens em base com nenhum eliminado, levando a Grã-Bretanha a substituir seu arremessador – Taylor deu lugar a Chris Reed, do AAA do Miami Marlins. O Brasil, porém, assim como já acontecera contra Israel, não aproveitou a chance.

Na sétima entrada outra boa oportunidade: Leonardo Reginatto foi ao bastão com homens na primeira e segunda base, mas um duplo roubo de bases deixou dois jogadores brasileiros em posição de anotar corrida. Nem Reginatto nem Dante Bichette Jr. aproveitaram a oportunidade, e o Brasil continuou sem marcar. A Grã-Bretanha, do outro lado, não vacilou: contra Felipe Sales, arremessador que atua no Japão, anotou mais uma corrida e levou o placar a 4 a 2.

Na oitava entrada, Reinaldo Sato acertou uma rebatida dupla no campo esquerdo e esquentou a torcida. “Vamo Toupeira!”, gritaram os torcedores para o catcher Luis Pz, o próxima a rebater. E ele não decepcionou, com uma rebatida profunda no campo direito que permitiu a Sato anotar a terceira corrida brasileira. Na sequência, tanto o campo direito Fernando Luciano como o segunda base Lucas Rojo acertaram boas rebatidas, deixando as bases lotadas. Gabriel Maciel e Bo Bichette porém acabaram eliminados.

Na nona entrada, Barry Larkin mandou o fechador Thyago Vieira para o montinho. Vieira cedeu uma rebatida ao primeiro rebatedor, e cedeu walk ao terceiro, mas conseguiu sair ileso da entrada. Pela Grã-Bretanha, Reed, a 15 arremessos do limite de 85, voltou para a nona entrada. Reed eliminou os dois primeiros rebatedores, mas cedeu a rebatida a Juan Carlos Muniz em seu último arremesso.

Precisando de uma eliminação, foi ao montinho Daniel Cooper, nascido na California mas sem afiliação na MLB. Cooper, entretanto, nem precisou trabalhar: em seu terceiro arremesso, Muniz, de forma inexplicável,  tentou roubar a terceira base, mas foi pego, decretando a derrota por 4 a 3.

Uma jogada daquela normalmente é ordenada pela comissão técnica, mas foi, de fato, uma iniciativa do jogador. “A tentativa de roubo surpreendeu a todos. Ele teve uma grande rebatida, ficou animado e não conseguiu segurar as emoções”, comentou Larkin de forma bastante controlada.

Não era futebol, mas a escrita não foi muito diferente: o Brasil tropeçou nos próprios erros e na instabilidade emocional e com isso perdeu a chance de disputar o World Baseball Classic pela segunda vez consecutiva. Apesar disso, há boas notícias: Eric Pardinho fez sua estréia pela seleção aos 15 anos e mostrou força, o grupo de arremessadores foi bastante competente, segurando adversários fortes, e Reginatto reforçou a imagem de que possivelmente será o próximo brasileiro a chegar na MLB.

Larkin concorda com o balanço positivo, mesmo com a eliminação. “Pela forma como perdemos para Israel e Grã-Bretanha, é óbvio dizer que fomos bem nos arremessos, nossa habilidade foi incrível. André teve um grande jogo hoje, sofreu com algumas decisões difíceis dos árbitros, mas nosso ataque não ajudou.” Por isso, o técnico projeta uma continuidade no crescimento da seleção. “O desenvolvimento do esporte no Brasil é o que nos deixa animado. Muitos disseram que éramos os favoritos aqui, mas quatro anos atrás ninguém esperava nada de nós. Esse cara [referindo-se a Rienzo] estará nas grandes ligas na próxima vez que aparecermos.”

Apesar do gosto amargo, principalmente pelo modo como acabou o último jogo, fica também a sensação de que o Brasil tem condições de estar no Mundial. Não apenas pelo fato de fazer jogos equilibrados contra Israel e grã-Bretanha, mas pela sensação de que os placares poderiam ser outros se Paulo Orlando, Yan Gomes, Oscar Nakaoshi e Luis Gohara estivessem disponíveis.