O último fim de semana foi agitado para Beyoncé. No sábado, ela lançou uma nova música chamada “Formation”, que tem uma mensagem muito clara a favor do movimento negro e da luta sobre os direitos iguais. Um dia depois, no Super Bowl, ela trouxe o seu novo hit para o evento mais assistido dos esportes americanos com o show do intervalo. Isso tudo não foi por coincidência, e ajudou a levantar novamente questões sobre a sociedade.

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Na música “Formation”, Beyoncé faz questão de mostrar como é a vida de um negro nos Estados Unidos em pleno 2016. Além da letra, que tem partes como “Parem de atirar em nós” (se referindo a onda de violência da polícia contra os negros), o clipe também manda uma mensagem clara de protesto contra a polícia.

Além de trazer a música para o show (assista aqui), todo contexto também precisa ser levado em consideração. Em um ponto da apresentação, Beyoncé e as dançarinas apontam o braço pra cima com o punho fechado, gesto do movimento Panteras Negras, eternizado pelos velocistas Tommy Smith e John Carlos ao subir no pódio dos 200 metros rasos nas Olimpíadas de 1968.

Dançarinas com o punho fechado (Getty Images)

Dançarinas com o punho fechado (Getty Images)

Em outro ponto do show, as dançarinas fizeram uma formação em X. Isso foi uma referência a Malcolm X, lendário ativista dos direitos dos civis e que foi assassinado apenas aos 39 anos. A roupa escolhida por Beyoncé também não foi aleatória. Foi praticamente uma réplica da mesma usada por Michael Jackson, em 1993, durante o show no Super Bowl.

Além de Beyoncé, a roupa das dançarinas também tem um contexto importantíssimo. Elas se fantasiaram de Panteras Negras. Depois da apresentação, as dançarinas postaram uma foto com o cartaz “Justiça para Mario Woods“, que foi morto em dezembro do ano passado pela polícia de São Francisco. A pressão da opinião pública e outros grupos de direitos civis fizeram com que o caso fosse investigado pelo Departamento de Justiça dos EUA.

Beyoncé pegou a questão do racismo e a desigualdade racial para colocar em evidência, justamente para a maior audiência esportiva do país em uma liga que ainda há várias questões sobre racismo e machismo. Todos esses tópicos importantes de direitos iguais trazidos por uma mulher, sendo que ainda há muito preconceito no meio da NFL e dos esportes americanos quanto ao sexo feminino.

Nota dez para a atitude dela, e que isso inspire outros artistas e também jogadores a colocar pontos sociais de extrema importância em grandes palcos.