O locutor do estádio anuncia o nome de Renaud Lavillenie. O francês dá alguns passos e sobe ao pódio para receber a medalha de prata do salto com vara. Ao mesmo tempo, a torcida vaia. O saltador se sente humilhado e vaia durante a execução do hino brasileiro, tocado para o vencedor da prova, Thiago Braz. Uma cena forte e marcante dos Jogos, mas não é inédita. Em Barcelona-1992, também no atletismo, as arquibancadas se uniram para apupar um medalhista.

Foi na prova dos 10 mil metros rasos. O marroquino Khalid Skah e o queniano Richard Chelimo disputavam a liderança. Perto do final, ambos deram uma volta sobre o também marroquino Hammou Boutayeb. Parecia uma situação normal diante de um veterano, mas o retardatário resolveu acelerar e passou a correr na frente de Chelimo. Os líderes ultrapassaram novamente Boutayeb, que voltou a apertar o passo e retomar a ponta.

As manobras estranhas do retardatário levantaram suspeitas de que ele estaria trabalhando em equipe com Skah, desestabilizando Chelimo. A torcida de Barcelona protestou contra a atitude de Boutayeb, que acabou ficando para trás. No final, os dois líderes aceleraram na busca pela vitória, mas o marroquino teve mais forças e chegou à frente.

No momento, a organização decidiu desclassificar Skah e dar o ouro a Chelimo, mas mudou a decisão horas depois. Dois dias depois, na cerimônia de premiação, Skah subiu no lugar mais alto de pódio diante de vaias de quase todo o estádio.

O vídeo abaixo conta a história (em inglês). A cena da vaia do pódio está na marca de 10:13.


  • Paulo Roberto Ramos de Andrade

    Se fosse o francês, ele ia chorar falando que a torcida desestabilizou o queniano, que o islã (pensando em religião) deu forças pro retardatário…

  • Thiago

    Francês chorão…