(AP Photo/Wilfredo Lee)

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Demorou 26 anos desde que Rolando Ferreira se tornou o primeiro brasileiro a atuar na NBA, mas aconteceu: um brasileiro faz parte do time que conquistou o título da liga de basquete mais importante do mundo neste domingo (15). Tiago Splitter, catarinense de 29 anos e jogador do San Antonio Spurs, levantou o Larry O’Brien Trophy e agora figura como um dos atletas mais importantes da história do basquete nacional. Mas muda algo para o esporte no país?

Splitter já era imprescindível para a disseminação da modalidade no país. Agora, com um anel de campeão da NBA, a vida de Tiago muda… muito pouco ou nada. Os Spurs entram em férias nesta semana e Splitter deve visitar a família, em Blumenau. Em seguida, o jogador começa a preparação – caso confirme as expectativas e seja convocado – para o Mundial de basquete. Disputa a competição, entre 30 de agosto e 14 de setembro, e, logo depois, volta, preferencialmente, com o título de campeão mundial, para os Estados Unidos para seguir em busca de seu bicampeonato (e do sexto título da franquia). Continuará treinando exaustivamente com seus companheiros, novamente se as expectativas se confirmarem, em San Antonio.

Para o basquete brasileiro, então, ainda menos coisas sofrerão mudanças. As categorias de base continuarão com a mesma estrutura precária. Poucos atletas poderão jogar nas divisões adultas, em função do baixo número de times. Destes poucos jogadores, boa parte deles não se formará na faculdade, porque o esporte universitário continuará não sendo valorizado no Brasil como é nos Estados Unidos. E, infelizmente, muitos bons basqueteiros deixaram de sê-lo por causa da minúscula chance de, um dia, se tornar Tiago Splitter.

Aos 15 anos, deixou o Joinville, time de Santa Catarina, e se mudou para a Espanha, onde defendeu o Bilbao e o Vitória, até ingressar no Tao Cerámica e, finalmente, se fortalecer, conquistando prêmios individuais e títulos com a equipe. Em 2007, foi a 28ª escolha do Draft da NBA, mas só se mudou para os Estados Unidos em 2010. Desde então, o jogador defende a franquia do Texas e, ao mesmo tempo, a seleção brasileira. Deixou de usar a camisa amarela em apenas uma oportunidade neste meio tempo, ao pedir dispensa, no ano passada, durante a Copa América, fatídica ocasião em que o Brasil foi eliminado de forma vergonhosa. Mesmo assim, estará no Campeonato Mundial 2014 e é um dos queridinhos do Ruben Magnano, treinador do time nacional, assim como é um dos favoritos de Gregg Popovich, que comanda os Spurs há 18 anos.

De qualquer maneira, se algum atleta contrariar todas as estatísticas e, com muita luta, se assemelhar ao pivô do San Antonio Spurs e for campeão da NBA, no dia seguinte voltará à realidade nacional de que, infelizmente, um jogador sozinho não mudará a realidade do basquete no Brasil. Nem mesmo ao conquistar um título da magnitude deste.