Parecia que tudo ia dar certo, que ia ficar certo pelo menos até terça-feira. Embora os Mets não acertassem muito no ataque, Matt Harvey tinha uma atuação espetacular e garantia o placar de 2 a 0 a favor até a nona entrada. Harvey arremessava tão bem que Terry Collins resolveu deixá-lo arremessar o nono inning também. E foi aí que a vaca acabou de se afundar em um brejal que já vislumbrava há algum tempo.

Os Mets estiveram a cinco eliminações de ganhar o jogo 1 das World Series em Kansas City. A quatro de ganhar o jogo 4, em Nova York. E a três de ganhar o jogo 5. Podia ter sido incrível, mas no final, não foi, e o Kansas City Royals é o legítimo campeão do beisebol em 2015. Um time que não só não errou, como puniu todos os seus adversários que erraram, mesmo os que erraram pouco.

A temporada dos Mets acaba, é claro, com uma ponta de melancolia, principalmente porque, neste jogo 5, a vitória esteve muito mais perto do que nos anteriores, e escapou pelos dedos em um erro besta. É inevitável, porém, para quem consegue olhar de fora, com frieza, ver que a temporada foi um sucesso inacreditável, muito além do que poderia sonhar seu torcedor até mesmo no começo dos playoffs – que dizer do começo da temporada.

Ainda que ganhasse o jogo 5, os Mets já estavam “quebrados”. Céspedes saiu do jogo mancando, D’Arnaud não tinha mais braço e Murphy já tinha voltado a ser Murphy há tempos. Só Curtis Granderson manteve o ritmo, a verdade é essa.

As comemorações têm de ser numerosas para os nova-iorquinos, não só por voltar à World Series depois de 15 anos, e depois de 9 anos sem playoffs. O time tem quatro arremessadores que poderiam ser o número 1 de uma boa parte dos times da MLB – e pode até ter cinco no ano que vem, com a volta de Zack Wheeler. Além disso, reconquistou a confiança, e reconquistou sua torcida. O Citi Field viu sua primeira temporada vitoriosa, seus primeiros playoffs e sua primeira World Series, tudo numa tacada só. Mas, principalmente, viu-se vitorioso o modelo de reconstrução do time iniciado em 2010.

Não há nada que garanta que esse time voltará aos playoffs no ano que vem. Se os arremessadores são excelentes, os rebatedores ficaram devendo, e seria justo dizer que, não fosse um surto inexplicável de rebatidas em Daniel Murphy, que não é dado a isso, os Mets talvez não tivessem passado nem pelos Dodgers.

O modelo, porém, é vencedor, o general manager Sandy Alderson mostrou que, além de saber construir uma base, é bom também em gastar dinheiro na hora certa, e Terry Collins, que provavelmente errou no jogo 5 da World Series ao manter Harvey em campo para a nona entrada, acertou muito, mas muito mais do que errou, inclusive contra todos os palpites de gente que entende muito mais do que eu.

Quem assistiu os Mets de 2009 até agora sabe o que significou o time desse ano. E essa é uma vitória que a perda do título não apaga. Que venha 2016.