LeBron James recebe marcação de Joakim Noah (Crédito: AP Photo/Nam Y. Huh)

LeBron James recebe marcação de Joakim Noah (Crédito: AP Photo/Nam Y. Huh)

Foi legal enquanto durou. Ou péssimo, se você não suporta mais esse time do Heat, a história de “levar os talentos para South Beach”, o trio LeBron-Dwyane-Bosh. O Miami teve uma sequência de 27 vitórias seguidas, a segunda maior da história, interrompida nesta quarta pelo Chicago Bulls. Se você curtiu, aproveite. Se você odiou, comemore. Porque o atual campeão da NBA dificilmente a repetirá, e ela não pode ser considerada uma nova meta para ele próprio.

Sequências de vitórias como essas não surgem do nada. Times ruins, como o Charlotte Bobcats ou o Detroit Pistons atuais, jamais conseguirão algo assim. Mesmo assim, elas são resultado de momentos especiais, em que várias coisas se casam e permitam que uma equipe saia de quadra sempre com mais pontos que o adversário. É uma união de encaixe tático, boa fase de vários jogadores ao mesmo tempo, reservas motivados, sorte e tabela que ajude em momentos-chave.

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Veja a lista das dez (ops, 11, porque três empataram na nona posição) maiores séries de vitórias da história da NBA:

33 jogos – Los Angeles Lakers 1971/72
27 – Miami Heat 2012/13
22 – Houston Rockets 2007/08
20 – San Antonio Spurs 2011/12
20 – Milwaukee Bucks 1970/71
19 – Los Angeles Lakers 1999/2000
19 – Los Angeles Lakers 2000/01
19 – Boston Celtics 2008/09
18 – New York Knicks 1969/70
18 – Boston Celtics 1981/82
18 – Chicago Bulls 1995/96

Conseguir sequências desse tamanho coloca bons times na história, mas não representa necessariamente os grandes times. Porque elas são extremamente difíceis e raras. Apenas uma equipe, os Lakers de Shaquille O’Neal e Kobe Bryant da virada do século, conseguiu duas vezes séries desse tamanho. Chicago Bulls de Jordan? Apenas uma vez. Milwaukee Bucks de Lew Alcindor (Kareem Abdul-Jabbar) e Oscar Robertson? Uma vez. Alguns dos grandes esquadrões da história sequer aparecem na relação acima. Celtics de Bill Russell, octocampeão entre as décadas de 1950 e 60? Nada. Os Lakers de Magic Johnson e Kareem Abdul-Jabbar, que foram à final sete vezes em um período de oito anos? Também de fora. Enquanto isso, lá aparecem equipes nada espetaculares, como Rockets de 2008 e Spurs de 2012, sequer foram à decisão da liga no ano da série encantada.

Pela tendência, é difícil que o Miami repita esse seu feito. E isso não faz diferença. Os 27 jogos invictos colocaram o time de LeBron e Wade como um dos que mais ficaram sem perder jogos (dã), mas não colocam essa equipe na história. O que colocará o Heat que se formou em 2010 na história é um eventual domínio da liga neste início de década. E é algo plenamente possível e que não tem a ver com a série encerrada nesta quarta.

A derrota para o Dallas Mavericks nas finais em 2011 serviu de ponto de mudança para o Miami. A vitória parecia tão certa que ver seus problemas naquela série – da queda nos momentos decisivos à necessidade de amadurecer coletivamente o grupo – ajudou a mostrar ao Heat o que precisava melhorar. Até a atitude em relação ao trabalho do técnico Erik Spoelstra mudou.

O Heat é o favorito destacado ao título desta temporada. Seria o segundo. Provavelmente esse grupo não chegará ao hepta como prometido por LeBron em sua apresentação, mas poderá conquistar mais alguns. E ficar não apenas na história como o dono da segunda maior série invicta, mas também por ser um time dominante em sua era, definição básica para quem entra na relação de grandes da história.

Obs.: se quiser saber o que o Chicago Bulls fez para acabar com a alegria do Miami Heat, leia a sempre pertinente análise do Fábio Balassiano neste link.