Há exatos 21 anos, o Montréal Expos selecionou um tal Thomas Edward Patrick Brady Jr, catcher da Junipero Serra High School, na 18ª rodada do draft da MLB. O garoto não aceitou o convite, pois já tinha proposta para atuar como quarterback da Universidade de Michigan. Uma escolha aparentemente acertada, pois, polêmicas à parte, ele tornou-se um dos maiores vencedores de Super Bowl e um dos melhores jogadores de todos os tempos da NFL.

Em fevereiro do ano passado, contamos um pouco a história de Tom Brady como jogador de beisebol e a conversa que pode ter sido decisiva para sua escolha pelo futebol americano.

Como esses dois jogadores medianos da MLB ajudaram a mudar a história da NFL
FP Santangelo (na frente da fila) e Rondell White (camisa 22) comemoram vitória dos Expos (AP Photo/Lacy Atkins)

FP Santangelo (na frente da fila) e Rondell White (camisa 22) comemoram vitória dos Expos (AP Photo/Lacy Atkins)

FP Santangelo teve uma passagem efêmera na MLB. Foi quarto colocado na eleição de Estreante do Ano em 1996 pelo Montréal Expos, mas seu desempenho caiu rapidamente. Depois dessa temporada inaugural, jamais passou de 26% de aproveitamento, 5 home runs e 31 corridas impulsionadas. Em 2001, após defender o Oakland Athletics, encerrou a carreira. Durante seu período no Canadá, foi companheiro de Rondell White, que até teve mais sorte. Ficou 15 anos nas grandes ligas, ainda assim só foi uma vez ao All-Star Game.

LEIA MAIS: Tom Brady já está ao lado de Joe Montana entre os maiores da história, e não é pelos títulos

Esses dois jogadores não fizeram nada de espetacular ou particularmente especial no beisebol, mas podem ter ajudado a mudar a história da NFL. Tudo por causa de uma sessão de treinos do Montréal Expos em 1995. Um dia que pode ter definitivamente colocado um garoto de San Mateo, Califórnia, no caminho do futebol americano.

Tom Brady era uma estrela da Junipero Serra High School. O garoto era quarterback do time de futebol americano no inverno e catcher da equipe de beisebol no verão. E tinha talento similar nas duas modalidades, chamando a atenção de olheiros e de recrutadores dos dois esportes.

Os relatos entre o pessoal do beisebol é que se tratava de um catcher com potencial de chegar às grandes ligas devido à agilidade, arremessos fortes e precisos, porte atlético, maturidade (ele já cantava os arremessos, coisa pouco comum em beisebol escolar) e potência nas rebatidas. Seu grande problema era o fato de ter como sonho vencer no futebol americano e ter convites para integrar equipes competitivas da NCAA.

Tom Brady com uniforme do time de beisebol de San Mateo, Califórnia

As franquias da MLB estavam de olho em Brady, mas não se animavam com a possibilidade de draftá-lo. A chance de ele recusar o convite para ir a uma universidade era grande. O Montréal Expos (atual Washington Nationals) era uma exceção. O time canadense acreditava no talento do catcher, e valia a tentativa de selecioná-lo.

Como os jogadores não têm de se inscrever para o draft da MLB, qualquer aluno elegível dos Estados Unidos pode ser recrutado. Claro, o risco de desperdiçar a escolha é maior. No caso de jovens com talentos para outro esporte, o beisebol tem como trunfo o fato de dar a profissionalização imediata (algo importante para garotos que precisam de um emprego para ajudar no sustento da família).

VEJA MAIS: Uma escolha de sexta rodada no draft de 2000 mudou a história dos Patriots

Os Expos aproveitaram que enfrentariam o San Francisco Giants no Candlestick Park para conhecer Brady melhor. O garoto foi convidado para acompanhar os treinos do time antes do jogo e mostrar um pouco seu repertório. Antes das atividades, porém, Brady ficou conversando com jogadores do Montréal, sobretudo Santangelo e White. Os dois jogadores perguntaram ao garoto por que ele aceitaria um contrato da MLB e passaria anos fazendo longas, cansativas e desconfortáveis viagens pelo interior durante duas ou três temporadas de ligas menores ao invés de jogar no Michigan Wolverines, um dos principais times de futebol americano da NCAA.

Ao ver a cena, John Hughes, olheiro que acompanhava mais a fundo a carreira colegial de Brady, comentou com Kevin Malone, diretor esportivo dos Expos: “Eu não acho que esses caras estão nos ajudando muito”. De fato, não ajudaram. O Montréal draftou Brady só na 18ª rodada (quando o efeito de um desperdício de escolha é menos grave), mas o garoto preferiu seguir no futebol americano. Já era a preferência pessoal do catcher/quarterback, mas Santangelo e White podem ter dado o argumento definitivo para ele seguir com a bola oval.


  • Pachacutti

    Como é que um simples “SIM” ou “NÃO” podem mudar a vida de uma pessoa.

    • Victor Cotrim

      vdd, Nesse caso não só de uma pessoa…
      No minimo de um time, mediamente de uma cidade/estado que não tinha nenhuma tradição na NFL e indo mais longe, do pais inteiro (no ambito do esporte)… Pois qm não é patriots adora odia-los.

      Peyton Manning e BIG Ben pensam, quantos aneis a mais eu não teria se NEW ENGLAND continuasse sendo um time comum.